TDAH na infância: sinais, avaliação e o papel da escola
O TDAH aparece na infância e pode afetar casa, escola e amizades. Entenda os sinais mais comuns, como é a avaliação com profissionais de saúde e o que a lei brasileira prevê para o apoio na escola.
Por Equipe RAFA
Atualizado em 06/11/2026
TDAH quer dizer Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade. É uma condição do neurodesenvolvimento: o cérebro funciona de um jeito próprio na atenção, no controle dos impulsos e no nível de atividade. Não é falta de educação, preguiça nem culpa de quem cuida.
Este texto não faz diagnóstico. Ele ajuda a entender o que observar e a quem pedir ajuda.
Como o TDAH pode aparecer
Os sinais costumam ser agrupados em três grupos. Quase toda criança tem alguns deles de vez em quando. O que chama atenção é quando aparecem com frequência e atrapalham o dia a dia.
Desatenção
Sonhar acordada ou ficar "no mundo da lua" com frequência.
Esquecer ou perder coisas com facilidade.
Ter dificuldade para organizar e terminar tarefas.
Ter dificuldade para seguir instruções ou acompanhar conversas.
Distrair-se com facilidade.
Hiperatividade
Mexer-se o tempo todo, remexer as mãos ou os pés.
Falar muito.
Ter dificuldade para ficar sentada por muito tempo, como durante as refeições ou a lição de casa.
Em crianças menores, correr, pular ou subir em tudo sem parar.
Impulsividade
Dificuldade de esperar a vez.
Interromper os outros ou pegar coisas sem pedir.
Dificuldade de resistir a tentações.
Mais acidentes e machucados do que outras crianças da mesma idade.
O TDAH pode ser mais de desatenção, mais de hiperatividade e impulsividade, ou uma mistura dos dois. Esse jeito de aparecer pode mudar com o tempo. Crianças com predomínio de desatenção, sem agitação, às vezes demoram mais a ser notadas, porque não "dão trabalho" na sala de aula.
Nem tudo que parece TDAH é TDAH
Problemas de sono, ansiedade, depressão e algumas dificuldades de aprendizagem podem parecer TDAH ou aparecer junto com ele. Também é natural que crianças pequenas sejam agitadas. Por isso não existe um exame único que "prova" o TDAH. A conclusão depende de uma avaliação cuidadosa.
Como é a avaliação
Quem pode avaliar são profissionais de saúde, como pediatra, neuropediatra, psiquiatra da infância e da adolescência ou psicólogo. Em geral, a avaliação inclui:
conversa detalhada com a família sobre a história da criança;
informações da escola e de outras pessoas que convivem com ela, para saber como ela se comporta em casa, na escola e com os colegas;
exame de saúde, com verificação de audição e visão, para descartar outras causas;
atenção a outras condições que possam explicar os sinais ou existir ao mesmo tempo.
Um bom caminho é anotar exemplos concretos: em que situações acontece, desde quando, e como isso afeta a rotina. Relatórios e observações da escola ajudam muito.
O que o tratamento pode incluir
Cada caso é diferente e é decidido junto com a equipe de saúde. Pode incluir orientação para a família sobre como lidar com o comportamento, estratégias na escola e acompanhamento psicológico. Em alguns casos, o tratamento pode incluir medicação, decidida e acompanhada por médico. Em crianças pequenas, a orientação para as famílias costuma vir antes de qualquer remédio.
O papel da escola
A Lei 14.254/2021 trata do acompanhamento integral de estudantes com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem. Em resumo, ela prevê que:
o poder público mantenha um programa que inclua identificação precoce, encaminhamento para diagnóstico, apoio educacional na escola e apoio terapêutico especializado na saúde;
escolas públicas e particulares da educação básica cuidem e protejam esses estudantes, com a ajuda das famílias e dos serviços de saúde;
o estudante com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem que tenha dificuldade na leitura, na escrita ou na atenção receba, o mais cedo possível, acompanhamento específico dos professores na escola;
as necessidades específicas sejam atendidas pelos profissionais da escola em parceria com profissionais de saúde.
Na prática, vale conversar com a professora e a coordenação, levar as observações da família e combinar adaptações simples: lugar na sala mais perto da professora, tarefas divididas em etapas, pausas curtas, instruções dadas uma de cada vez. Escola e família trabalham melhor quando trocam informações com regularidade.
Cuidado com a exposição
Evite publicar fotos, nomes ou detalhes da criança em redes sociais ou grupos abertos ao falar de diagnóstico. Compartilhe só o necessário com a escola e com profissionais.
Onde buscar ajuda
Se você percebe esses sinais, converse com o pediatra da criança ou procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, que pode orientar e encaminhar. Se a escola já levantou preocupações, leve o que ela observou. Na RAFA há um diretório de profissionais e clínicas verificados, que pode ajudar na busca. Este texto não substitui a avaliação de um profissional.
- Condições:
- TDAH
- Público:
- Famílias, Escola
Referências