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Ansiedade em crianças e adolescentes: como reconhecer e ajudar

Medo e preocupação fazem parte do crescimento. Veja quando passam do esperado, quais sinais observar em casa e na escola, e como buscar avaliação profissional e apoiar quem está ansioso.

Por Equipe RAFA

Atualizado em 06/11/2026

Todo mundo sente medo e preocupação de vez em quando. Para crianças e adolescentes, isso faz parte do crescimento: o medo do escuro, o frio na barriga antes de uma prova, o nervosismo ao conhecer gente nova. Este texto ajuda a perceber quando essa ansiedade passa do esperado, e o que a família pode fazer. Ele não faz diagnóstico e não substitui a avaliação de um profissional.

Ansiedade comum e ansiedade que pede atenção

A ansiedade comum vem, incomoda e passa. Ela costuma ter um motivo claro e diminui com o tempo, com acolhimento e com a experiência.

Vale prestar atenção quando o medo ou a preocupação:

  • não diminuem com a idade;

  • duram semanas ou meses;

  • causam sofrimento grande;

  • atrapalham a escola, as brincadeiras, o sono ou a convivência em casa.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos de ansiedade envolvem medo ou preocupação intensos e excessivos, que duram meses e levam a pessoa a evitar as situações que a assustam. Eles costumam começar na infância ou na adolescência e podem continuar na vida adulta. Por isso, olhar cedo faz diferença.

Sinais que podem aparecer

Cada criança mostra a ansiedade de um jeito. Nem sempre ela fala "estou com medo". Alguns sinais são:

  • preocupação constante com o futuro, com a escola ou com a saúde da família;

  • medo de ficar longe de quem cuida, com choro ou recusa em ir à escola;

  • dor de barriga ou de cabeça frequente, sem causa médica conhecida;

  • dificuldade para dormir, cansaço, irritação ou explosões de raiva;

  • evitar festas, apresentações ou conversas com outras pessoas;

  • pedir garantias o tempo todo ("vai dar tudo certo?");

  • queda no rendimento escolar.

O CDC, órgão de saúde dos Estados Unidos, lembra que algumas crianças guardam as preocupações para si, e por isso os sinais podem passar despercebidos. Em adolescentes, a OMS lembra que ansiedade e depressão podem trazer mudanças de humor rápidas e inesperadas e afetar muito a frequência e o desempenho na escola.

A ansiedade e a tristeza profunda (depressão) podem aparecer juntas. Se o jovem perdeu o interesse no que gostava, passa muito tempo sozinho ou dorme demais ou de menos, procure ajuda.

Como a família pode ajudar no dia a dia

Estas atitudes ajudam, mesmo antes de qualquer consulta:

  • Escute sem julgar. Frases como "isso não é nada" fazem a criança sentir que não foi entendida. Experimente: "Estou aqui. Me conta como foi".

  • Dê nome ao que ela sente. "Parece que você ficou com medo" ajuda a criança a reconhecer a emoção.

  • Evite evitar tudo. Poupar a criança de toda situação que assusta pode aumentar o medo. Ajude a dar passos pequenos, no ritmo dela.

  • Mantenha rotinas. Sono regular, refeições, movimento e tempo para brincar protegem a saúde emocional. A OMS cita o sono regular e a atividade física entre os hábitos importantes para o bem-estar emocional.

  • Fale com quem convive com a criança. Professores e outras pessoas próximas podem contar o que observam.

  • Cuide de você. Pais e mães ansiosos também precisam de apoio. Pedir ajuda para si é uma forma de cuidar da criança.

Não é preciso resolver tudo sozinho. Evite também comparar com outras crianças ou usar rótulos como "frescura" ou "manha".

Quando procurar um profissional

Procure o pediatra ou o médico que acompanha a criança se os sinais forem frequentes, durarem semanas ou atrapalharem a vida dela. O pediatra pode avaliar a saúde geral e indicar um psicólogo, um psiquiatra da infância e adolescência ou outro profissional de saúde mental.

Segundo o CDC e a OMS, o tratamento costuma começar pela psicoterapia, que ensina formas de lidar com o medo e propõe enfrentar as situações temidas aos poucos. A família pode participar, e a escola também. Em alguns casos, o profissional pode considerar medicação, mas essa decisão é sempre de um médico, depois de uma avaliação. A OMS recomenda dar prioridade a abordagens sem remédio nessa faixa etária.

Ao escolher quem vai atender, vale perguntar como a família será envolvida e como o progresso será acompanhado.

E a escola?

A escola pode ajudar muito. Converse com professores e com a coordenação sobre o que a criança está vivendo. Em conjunto, vocês podem combinar ajustes simples, como avisar antes de apresentações, permitir pausas e ter uma pessoa de referência para quem ela possa recorrer.

Quando é urgente

Se a criança ou o adolescente falar em se machucar, em morrer ou em desaparecer, ou se o comportamento colocar a segurança dele em risco, procure ajuda imediatamente. Leve a um pronto-socorro ou ligue para o SAMU, 192. Para conversar com alguém, o CVV, 188, atende por ligação gratuita, 24 horas por dia, e também por chat em cvv.org.br.

Onde buscar ajuda

Comece pelo pediatra ou pela unidade básica de saúde mais próxima. Na RAFA, há um diretório de profissionais e clínicas verificados, que pode ajudar a encontrar psicólogos e outros profissionais da sua região. Lembre-se: a ansiedade tem acompanhamento, e pedir ajuda cedo é um gesto de cuidado.

Condições:
Ansiedade
Público:
Famílias

Referências

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional. A RAFA revisa cada conteúdo antes de publicar e verifica o registro de quem assina, mas cada pessoa é única: converse com um profissional de confiança.

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