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Cuidar de quem cuida: saúde mental de mães, pais e familiares

Cuidar de uma criança com TEA ou TDAH pode cansar muito. Veja por que o cuidado com quem cuida importa, sinais de que é hora de pedir ajuda e como começar, sem culpa.

Por Equipe RAFA

Atualizado em 06/11/2026

Se você cuida de uma criança com TEA (Transtorno do Espectro Autista), com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) ou com outra necessidade, provavelmente passa o dia pensando em terapias, escola, rotina e em tudo o que precisa ser feito. Quem cuida também precisa de cuidado. Isso não é egoísmo.

Este texto não faz diagnóstico nem substitui o atendimento de profissionais de saúde.

Por que o cansaço é tão comum

Cuidar exige energia todos os dias: organizar consultas, conversar com a escola, lidar com crises, enfrentar o olhar dos outros. A OMS reconhece que cuidadores de crianças com atrasos ou transtornos do desenvolvimento muitas vezes enfrentam estigma, isolamento e empobrecimento. Sentir cansaço, culpa, medo do futuro ou até raiva às vezes é humano e não faz de você uma pessoa pior.

Também é comum que a atenção da família fique toda na criança e as próprias necessidades fiquem para depois, até que o corpo e a mente cobrem.

Sinais de que é hora de pedir ajuda

Procure apoio profissional se, por duas semanas ou mais, você sente:

  • tristeza, vazio ou desânimo na maior parte dos dias;

  • ansiedade ou preocupação que não passam, ou crises de pânico;

  • sono muito ruim, ou cansaço que o descanso não resolve;

  • perda de interesse no que antes dava prazer;

  • irritação constante ou sensação de não aguentar mais;

  • uso de álcool ou outras substâncias para suportar o dia.

Esses sinais são o corpo pedindo ajuda. Eles são tratáveis.

Se aparecerem pensamentos de se machucar, de morrer ou de desistir de tudo, procure ajuda agora. Ligue para o CVV no 188, ligação gratuita, 24 horas, ou use o chat em cvv.org.br. Em risco imediato, ligue para o SAMU 192 ou vá a um pronto-socorro.

Pequenos passos que ajudam

Nada disso resolve tudo, mas pode aliviar:

  • Descanso. Mantenha horários regulares de sono e reduza telas perto da hora de dormir, quando for possível.

  • Movimento. Uma caminhada diária ajuda o humor, e períodos curtos também contam.

  • Contato. Mantenha contato com amigos e familiares que ofereçam apoio emocional e prático. Aceite ajuda concreta: alguém que busque na escola, faça uma compra ou fique uma hora com a criança.

  • Dividir tarefas. Se há mais de um adulto na casa, combine quem faz o quê. Cuidar não precisa ser função de uma pessoa só.

  • Tempo para você. Reserve um momento pequeno, que seja, só seu, sem culpa.

  • Conversar com quem entende. Encontrar outras famílias que passam por situações parecidas pode diminuir a solidão. Em grupos e redes, evite expor foto, nome e detalhes da criança.

Apoio para quem cuida

A OMS desenvolveu programas de treinamento para cuidadores de crianças com atrasos ou transtornos do desenvolvimento. Segundo a organização, esse tipo de programa pode aumentar a confiança e as habilidades dos cuidadores e melhorar o bem-estar de cuidadores e crianças. Pergunte na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou no serviço que atende seu filho ou filha se há grupos de orientação para famílias.

Ter um espaço seu de escuta, com psicólogo ou outro profissional de saúde mental, também é parte do cuidado, e não um luxo.

Como pedir ajuda pelo SUS

O primeiro passo costuma ser a UBS, que é o primeiro nível de atenção e a principal porta de entrada do SUS. Lá, a equipe pode ouvir você e encaminhar. Quando o sofrimento psíquico é intenso, a rede de atenção psicossocial do SUS inclui os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), serviços abertos à comunidade. A equipe da UBS informa qual serviço atende a sua região.

Você não precisa dar conta de tudo

Cuidar bem de alguém passa por estar bem. Pedir ajuda é uma forma de cuidado com a criança, porque ela também depende de uma família que consegue descansar e respirar.

Onde buscar ajuda

Converse com a UBS, com o médico de família, com um psicólogo ou psiquiatra de sua confiança. Na RAFA há um diretório de profissionais e clínicas verificados e grupos de comunidade onde você pode trocar experiências. Este texto não substitui a avaliação de um profissional.

Condições:
TEA, TDAH
Público:
Famílias

Referências

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional. A RAFA revisa cada conteúdo antes de publicar e verifica o registro de quem assina, mas cada pessoa é única: converse com um profissional de confiança.

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