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Dislexia: sinais na alfabetização e como a escola pode apoiar

Dislexia é uma dificuldade específica de leitura e escrita, que não tem relação com inteligência ou preguiça. Veja sinais na alfabetização, como é a avaliação e o que a Lei 14.254/2021 prevê para o apoio na escola.

Por Equipe RAFA

Atualizado em 06/11/2026

Aprender a ler é um caminho com ritmos diferentes para cada criança. Algumas avançam rápido, outras precisam de mais tempo. Mas, quando a dificuldade é grande e persiste mesmo com bom ensino, pode haver uma dislexia. Este texto explica o que é, quais sinais observar e como a família e a escola podem apoiar. Ele não faz diagnóstico: a avaliação é feita por profissionais.

O que é dislexia

Dislexia é uma dificuldade específica de aprendizagem na leitura e na escrita. A pessoa tem dificuldade para ler palavras com precisão e fluência, e muitas vezes também para escrever sem erros. Um estudo brasileiro publicado na SciELO descreve a dislexia como um transtorno que ocorre apesar de inteligência normal, de escolarização adequada e de oportunidades culturais, e que começa no processamento dos sons da fala, depois afetando a leitura.

Dito de forma simples: o cérebro da pessoa disléxica processa de outro jeito a relação entre os sons e as letras. O Instituto Nacional de Saúde Infantil dos Estados Unidos (NICHD) explica que as dificuldades de aprendizagem vêm de diferenças no funcionamento do cérebro, e que, com os apoios educacionais certos, essas pessoas podem ter sucesso.

Por isso, dislexia não é:

  • falta de inteligência;

  • preguiça ou desatenção;

  • resultado de uma família que "não incentiva";

  • algo que a criança "tem que superar sozinha".

Sinais na alfabetização

Os sinais variam com a idade, e um sinal isolado não indica dislexia. Observe se vários deles aparecem juntos e se persistem.

Antes da alfabetização

  • dificuldade para aprender rimas e canções;

  • dificuldade para lembrar o nome das letras;

  • troca de sons nas palavras por mais tempo que o esperado.

Nos primeiros anos da escola

  • leitura lenta, com muitas paradas e erros;

  • dificuldade de ligar a letra ao som que ela representa;

  • escrita com trocas, omissões ou inversões de letras que continuam além do período em que isso é comum;

  • dificuldade de reconhecer palavras que já viu várias vezes;

  • desistir de leituras mais longas;

  • cansaço e frustração diante das tarefas de leitura e escrita.

Muitas crianças disléxicas se saem bem quando falam, contam histórias e participam oralmente. É frequente que, com o tempo, apareçam também a vergonha e a queda da autoestima. Isso é um sinal para acolher e não para cobrar.

Como é a avaliação

Só profissionais podem avaliar. A avaliação costuma envolver uma equipe, por exemplo:

  • pediatra ou neuropediatra, para verificar a saúde geral, a visão e a audição, que também podem afetar a leitura;

  • fonoaudiólogo, que avalia linguagem, leitura e escrita;

  • psicólogo ou psicopedagogo, que avalia aprendizagem, atenção e emoções.

A lei brasileira prevê que as necessidades de desenvolvimento do estudante sejam atendidas por profissionais da rede de ensino e, quando houver necessidade de terapia, em serviço de saúde com equipe multidisciplinar. O relatório da escola, com exemplos do que a criança consegue e do que é difícil, ajuda muito na avaliação.

O que a lei garante na escola

A Lei 14.254/2021 trata do acompanhamento de estudantes com dislexia, com TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) ou com outro transtorno de aprendizagem. Entre outros pontos, ela prevê que:

  • o poder público mantenha um programa de acompanhamento integral, que inclui a identificação precoce e o encaminhamento para diagnóstico;

  • escolas públicas e particulares de educação básica garantam cuidado e proteção ao estudante;

  • quem tem dificuldade em leitura, escrita ou atenção receba acompanhamento específico para essa dificuldade, da forma mais precoce possível;

  • professores da educação básica tenham acesso a informação e a formação continuada para reconhecer sinais precocemente.

Como a escola pode apoiar

Algumas atitudes simples, que valem para toda a turma:

  • dar mais tempo para ler e para fazer provas;

  • ler as instruções em voz alta e usar linguagem clara;

  • avaliar também de forma oral, quando possível;

  • não expor a criança a leituras em voz alta diante da turma;

  • valorizar o esforço e os pontos fortes;

  • manter conversa regular com a família.

Um estudo brasileiro com crianças em risco de dislexia mostrou que atividades de consciência dos sons (rimas, separar e juntar sílabas e sons) ligadas ao ensino da relação entre letras e sons trouxeram melhora na maior parte dos estudantes. É um estudo pequeno, e não prova que isso funcione para todos, mas mostra por que a atenção precoce importa.

Como a família pode apoiar

  • Leia junto, em voz alta, sem pressa e sem corrigir a cada erro.

  • Valorize o que a criança faz bem.

  • Evite comparações com irmãos e colegas.

  • Converse com a escola e peça um acompanhamento específico.

  • Procure avaliação se as dificuldades persistirem.

Onde buscar ajuda

Comece pelo pediatra, pela coordenação da escola ou pela unidade básica de saúde. Na RAFA, há um diretório de profissionais e clínicas verificados, que pode ajudar a encontrar fonoaudiólogos, psicólogos e outros profissionais. Quanto mais cedo a criança recebe apoio, mais tranquilo tende a ser o caminho.

Condições:
Dislexia
Público:
Famílias, Escola

Referências

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional. A RAFA revisa cada conteúdo antes de publicar e verifica o registro de quem assina, mas cada pessoa é única: converse com um profissional de confiança.

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